Óleos Essenciais e Tricomoníase

Cientistas vêem descobrindo que óleos essenciais podem ser um tratamento natural alternativo para a tricomoníase. Dentre vários óleos estudados, o de manjericão foi o mais eficaz.

A tricomoníase é uma infecção genital causada pelo protozoário Trichomonas Vaginalis, que é a doença não-viral mais comum sexualmente transmitida e os medicamentos nitroimidazóis são utilizados em seu tratamento. Contudo, um grande número de T. vaginalis têm se tornado resistentes a estes medicamentos, que torna necessário o desenvolvimento de alternativas urgentes. Sua transmissão ocorre por meio das relações se xuais ou contato íntimo com secreções de uma pessoa contaminada.
Nas mulheres a tricomoníase é uma das principais causas de vaginite e corrimento vaginal, mas costuma ser uma infecção assintomática nos homens. O protozoário causa lesão do epitélio vaginal, levando à formação de úlceras microscópicas que aumentam o risco de contaminação por outras DSTs. A pessoa pode ter intensa coceira, queimação e sensibilidade na vagina, assim como sensação de queimação ao urinar.
Inúmeros pesquisadores desenvolveram estudos muito positivos com óleos essenciais no tratamento da tricomoníase. Dentre os inúmeros estudos feitos in vitro, temos ótimos resultados para o óleo de tea tree (Melaleuca alternifolia) na diluição de 300 mg/ml matando todas os parasitas [1], sendo que há casos de experiência in vivo com o uso do óleo de tea tree em gel com sucesso no tratamento deste parasita [2]. Sugestão de uso de gel a 3%.
Um estudo realizado com os óleos de lavanda (Lavandula angustifolia) e lavandim (Lavandula x intermedia) eliminou completamente as tricomonas in vitro em concentração inferior a 1% [3].
O geraniol, principal componente ativo do óleo de palmarosa foi eficiente em diluição ainda mais baixa que o tea tree contra o parasita, a 342.96 µg/ml e 171.48 µg/ml, foi capaz de matar dois isolados diferentes de T. vaginalis de forma muito eficiente, mostrando que óleos ricos neste composto, como a palmarosa e o gerânio, são muito úteis nesta terapia [4].
Menos potente que o geraniol, mas ainda mais eficaz que o tea tree foi o beta-cariofileno, principal componente do óleo de copaíba. Na diluição de 500 µg/mL este componente foi 100% eficaz contra a T. vaginalis in vitro [5].
Um estudo feito com o óleo de cominho negro (Nigella sativa) mostrou que este óleo é tão eficaz quanto o metronidazol, medicamento comumente empregado na terapia contra a T. vaginalis [6].
E por último, uma pesquisa recente (2015) realizada no Cairo, Egito, mostrou que o óleo de Mastique (Pistacia lentiscus) foi eficaz contra a T. vaginalis na dose de 15 mg/ml após 24 h de incubação. Mas este grupo testou também o óleo de manjericão QT linalol (Ocimum basilicum) que foi de todos os óleos até hoje, o mais eficiente. O óleo de manjericão conseguiu destruir todos os parasitas na dose de 30 μg/ml após 24 h de incubação. Os autores deste estudo concluíram que estes óleos essenciais podem ser uma promissora terapêutica no tratamento da tricomoníase, especialmente aquela resistente aos tratamentos convencionais [7].
Eficácia de acordo com estudos:

  • Óleo de manjericão 30 μg/ml
  • Geraniol (palmarosa) 500 µg/mL
  • Óleo de mastique 15 mg/ml
  • Óleo de tea tree 300 mg/ml
  • Óleo de lavanda e lavandim <1%
  • Óleo de cominho negro ?
  • b-cariofileno (copaíba) 500 µg/mL

Como muitos óleos essenciais atuam de forma sinérgica, tendo seus efeitos potencializados quando associados, a associação de alguns destes óleos essenciais, especialmente os que exigiram menor diluição para alto resultado, pode ser uma interessante terapêutica alternativa e um linha de pesquisa sugestiva para acadêmicos estudarem.
Sugestão de gel:

  • Palmarosa, copaíba ou mastique 0,5-1%
  • Tea tree 1%
  • Manjericão verde QT linalol – 0,5-1%
  • Cominho negro ou lavanda – 0,5%
  • Base gel 97%

Autor: Fábián László
Cientista aromatólogo

Referências:

  1. Viollon C, Mandin D, Chaumont JP. Antagonistic activities, in vitro, of some essential oils and volatile natural compounds against the growth of Trichomonas vaginalis. Fitoterapia, 67: 279-281. December 1995
  2. Peña EF. Melaleuca alternifolia oil-its use for trichomonal vaginitis and other vaginal infections. Obstet. Gynecol., 19: 793-795 (1962)
  3. Moon T. Antiparasitic activity of two Lavandula essential oils against Giardia duodenalis, Trichomonas vaginalis and Hexamita inflata. Parasitol Res. 2006 Nov;99(6):722-8. Epub 2006 Jun 2.
  4. Dai M, et al. Anti-Trichomonas vaginalis properties of the oil of Amomum tsao-ko and its major component, geraniol. Pharm Biol. 2016;54(3):445-50.
  5. Rafael Alberto Martínez-Díaz, et al.Trypanocidal, trichomonacidal and cytotoxic components of cultivated Artemisia absinthium Linnaeus (Asteraceae) essential oil. Mem Inst Oswaldo Cruz. 2015 Aug; 110(5): 693–699.
  6. Mahmoud MA et al. Are the fatty acids responsible for the higher effect of oil and alcoholic extract of Nigella sativa over its aqueous extract on Trichomonas vaginalis trophozoites? J Parasit Dis. 2016 Mar;40(1):22-31.
  7. Ezz Eldin HM, Badawy AF. In vitro anti-Trichomonas vaginalis activity of Pistacia lentiscus mastic and Ocimum basilicum essential oil. J Parasit Dis. 2015 Sep;39(3):465-73.

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