Pesquisa sobre Óleos Essenciais

Palmarosa-OEDescoberto que óleo de palmarosa aumenta produção de anticorpos e que cravo-da-índia e estragão podem aumentar a contagem de glóbulos brancos em imunodeprimidos.
Há muito se estuda a respeito dos benefícios dos óleos essenciais sobre o sistema imunológico. Existem pesquisas com os óleos essenciais de tea tree (Melaleuca alternifolia), tomilho (Thymus vulgaris), orégano (Origanum vulgare), turmérico (Curcuma longa) e olíbano (Boswellia carteri), empregados frequentemente para isso na aromaterapia.

Nos últimos anos algumas novas e interessantes pesquisas vêem surgindo. Em um destes trabalhos, realizado em Maringá/PR no Brasil em 2009 [1], foi feita uma avaliação comparativa dos óleos essenciais de Cravo-da-Índia (Syzygium aromaticum L.), Gengibre (Zingiber officinale Roscoe) e Sálvia dalmaciana (Salvia officinalis L) em camundongos que receberam ciclofosfamida. A ciclofosfamida é uma droga imunossupressora frequentemente utilizada para o tratamento de doenças auto-imunes e em oncologia, para o tratamento de cânceres. Ela é altamente supressora da imunidade, causando depleção medular com consequente queda da produção de glóbulos brancos, além de inibição da resposta imunológica.

Os animais foram separados em grupos que receberam estes óleos essenciais via oral uma vez ao dia por uma semana. O resultado final mostrou que o óleo essencial de cravo-da-Índia teve a capacidade de aumentar a contagem total de glóbulos brancos nos camundongos, reduzida sensivelmente pela ciclofosfamida, o que nos dá entender que o cravo-da-Índia teria algum tipo de ação direta também na medula óssea. O cravo, assim como o gengibre, tiveram ambos um efeito de aumento da resposta imunológica com produção de anticorpos. O óleo de sálvia dalmaciana não apresentou nenhum resultado.

Na mesma faculdade de Maringá, em 2015, cientistas deste grupo avaliaram as moléculas trans-anetol (presente em 85% do óleo de anis-estrelado (Illicium verum) e responsável pelo seu aroma), e estragol (presente em 90% no óleo de estragão (Artemisia dracunculus) e 75% no óleo de manjericão exótico (Ocimum basilicum)). Animais também receberam a ciclofosfamida. Observou-se que componentes ativos destes óleos essenciais foram capazes de aumentar também a contagem de glóbulos brancos, sendo que o estragol do estragão foi a molécula mais potente. O trans-anetol auxiliou aumentando a resposta humoral através de aumento da produção de anticorpos. Em outro estudo de 2014 [3], este grupo já havia mostrado que o estragol conseguia estimular o aumento da capacidade de fagocitose dos macrófagos, que são importantes células de defesa do nosso sistema imunológico para combate a parasitas, cânceres e outras infecções.

Por último, uma pesquisa interessante realizada por cientistas indianos que avaliou a ação imunoestimulante das principais moléculas dos óleos de palmarosa, gengibre e cravo-da-índia. Foi descoberto que o geraniol, presente em 80% do óleo essencial de palmarosa (Cymbopogon martinii) foi mais potente que o eugenol do cravo e o gingerol do gengibre obtido via CO2 para estimular a produção de anticorpos contra-infecções.

          RESUMINDO, em fases de infecções, a palmarosa que possui mais de 80% de geraniol, é um óleo essencial interessante para uso como fator de estimulação do sistema imune para formação de anticorpos de combate às infecções, tendo sido esta substância ativa até o presente momento a mais eficiente neste sentido. A vantagem de seu uso é possuir uma toxicidade extremamente baixa, se comparado ao trans-anetol. O óleo de cravo-da-Índia e o estragão, mostraram-se interessantes recursos no aumento da contagem de glóbulos brancos em pacientes imunodeprimidos, além de também atuarem no aumento da resposta humoral via produção de anticorpos.
Apesar destes estudos terem sido feitos via oral com animais, muitas pessoas em todo o mundo que utilizam óleos essenciais para benefício de sua saúde observam e relatam grandes melhorias do sistema imunológico em doenças infecciosas ou condições de baixa resistência. Em alguns países europeus é muito comum o emprego dos óleos essenciais via oral (para este uso recomenda-se acompanhamento de um especialista ou médico), porém, existem também muitos relatos, em livros inclusive, sobre ótimos resultados via inalação e massagem de óleos essenciais na melhora do sistema imunológico.

Devido a estes óleos citados agirem aumentando sensivelmente a resposta imune, recomenda-se evitar seu uso em pessoas que possuam doenças auto-imunes como o lúpus ou em transplantados.

Dica de combo imunoestimulante:

  • Tea tree 20% ou 15 gotas
  • Estragão 20% ou 15 gotas
  • Palmarosa 20% ou 15 gotas
  • Cravo-da-Índia 20% ou 15 gotas
  • Tomilho 20% ou 15 gotas

Base óleo de massagem de palmiste ou coco (ricos em ácido láurico que é um ácido graxo imunoestimulante) 100% qsp ou 100ml

Os óleos acima também podem ser empregados em difusor de ambiente juntos, sugestão de uso de 2-3 gotas de cada.

Autor: Fábián László – Cientista aromatólogo
Referências:[1]. Carrasco FR et al. Immunomodulatory activity of Zingiber officinale Roscoe, Salvia officinalis L. and Syzygium aromaticum L. essential oils: evidence for humor- and cell-mediated responses. J Pharm Pharmacol. 2009 Jul;61(7):961-7.

[2]. Wiirzler, Luiz A. M. et al. Evaluation of immunomodulatory activity of transanethole and estragole, and protective effect against cyclophosphamide-induced suppression of immunity in Swiss albino mice. International Journal of Applied Research in Natural Products Vol. 8 (1), pp. 26-33. 2015

[3]. Silva-Comar FM. et al. Effect of estragole on leukocyte behavior and phagocytic activity of macrophages. Evid Based Complement Alternat Med. 2014;2014:784689.

[4]. Seema Farhath, et al Immunomodulatory activity of geranial, geranial acetate, gingerol, and eugenol essential oils: evidence for humoral and cell-mediated responses. Avicenna Journal of Phytomedicine, Vol. 3, No. 3, Summer 2013, 224-230

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