Aromaterapia, Bem estar, Estados de consciência

Ying-Yang – O Equilíbrio

Os elementos que formam o Ch’i (matéria-energia) que versa sobre a energia vital, chama-se ying-yang.

O yin é o princípio feminino, passivo, escuro; o yang é o princípio masculino, ativo, iluminado. É justamente a interação dessas duas forças que explicam as funções da natureza:

  • o papel do homem e da mulher;
  • as alterações do dia para a noite e vice-versa;
  • a sucessão das quatro estações no ano.

A tabela descreve mais abrangentemente aspectos do yin-yang.

Aspectos do Yin-Yang
Yin Yang
Espíirito Corpo
Introvertido Extrovertido
Comedido Arriscado
Intuitivo Lógico
Presente Passado e Futuro
Subjetivo Objetivo
Conteúdo Forma
Sentimento Razão
Harmonizador Dominador
Ser Ter

O conceito yin-yang permeou o pensamento Chinês pelos idos de 400a.C.; entretanto, originou-se muito antes pois se destacava proeminentemente nos escritos Taoistas.

Para os Taoistas tudo no mundo era relativo. Conceitos existem porque existem contrastes: a morte existe porque também existe a vida; algo só é bom porque temos algo ruim com que comparar.

Por detrás desse aparente dualismo, existe um princípio unificador chamado Tao que não dá para ser definido e desafia qualquer busca intelectual. O Tao só pode ser compreendido intuitivamente quando se atinge um estado de iluminação.

Vamos ilustrar a relatividade deste conceito. Nada é permanente rotulado como yin ou com yang. Para ser um ou outro dependende de uma referência, da sua relação com outras coisas. O telhado de  nossa casa é yang (acima) com relação ao chão (yin), mas yin (abaixo) em relação às estrelas.

O taoismo pregava uma vida simples, natural, desprendida. Muitos taoistas ficavam sentados nas montanhas desde o crepúsculo simplesmente observando as gotas de orvalho. Essa atitude de simplicidade é bem exemplificada na passagem a seguir:

Chung-Tzu pescava no rio P’u quando chegaram dois emissários do rei. Eles traziam um convite. Ao verem Tzu disseram: ‘Chuang, o rei quer convidá-lo para administrar seu reino. ‘Chuang-Tzu ouviu a proposta. Sem parar de pescar começou a falar: ‘Ouvi dizer que existe uma tartaruga embalsamada em Ch’u com mais de três mil anos. O rei a mantém embrulhada em linho e seda e a coloca dentro de uma ciaxa na cristaleira do templo dos ancestrais. Se a tartaruga tivesse tido opção, será que preferiria morrer para deixar sua carcaça ser imortalizada ou continuar viva se arrastando pela lama?’ Ambos os emissários responderam serm hesitação: ‘Ela certamente iria preferir arrastar sua cauda pela lam.’ ‘Pois bem,’ concluiu Chuang-Tzu: ‘Podem ir embora. Eu também quero continuar arrastando muinha cauda na lama.’

O conceito do yin-yang foi criado dentro de um espírito diferente do nosso. Por isso, mesmo que o tradutor se esmere na tradução, a nossa interpretacão será dada em termos de polaridades. A nossa estrutura mental é dialética face ao pensamento oriental. Por exemplo, o termo yang “extrovertido” para nós é visto como algo positivo, bom, relacionado ao sucesso. Em contrapartida, o conceito yin “introvertido” é visto como algo tímido, indesejável. O termo em si não tem nada de bom ou ruim, mas para não são termos psicologicamente “carregados” de conotações emocionais.

No conceito original, a forma de olhar para esses termos não é antagônica. Essas polaridades eram vistas como aspectos interdependentes e complementares da mesma coisa. Vamos elucidar: Pergunte a qualquer empresário o que ele pensa do seu concorrente. A resposta é que são desleais, não prestam etc. Ninguém gosta. Aliás muitos os vêem como verdadeiros inimigos. Esse mesmo conceito enfocado sob o prisma yin-yang teria outra conotação, O referencial inimigo, por exemplo, só tem sentido porque conhecemos o que caracteriza um amigo. Como essa “polaridade” tem que existir, os Taoistas olham para os chamados “inimigos” ou concorrentes: como um “amigo que lhes mosta as suas fraquezas”. Portanto, é visto como alguém com quem temos muito a aprender.

Alguém que falhou num empreendimento me disse certa vez: “não fomos preparados nem na vida nem na escola para falhar”. Para nós ocidentais, um fracasso ou crise pela qual passamos, é algo ruim. Apresar denem sermpre conseguirmos mudar o mundo, uma coisa é certa: pelo menos podemos mudar a nossa maneira de ver as coisas. Dolorido como possa ser, podemos olhar para as grandes dificuldades como algo que nos ajuda crescer e amadurecer.

Há um pensamento sufi que diz: “Dentre as árvores mais altas, somente as com raízes mais profundas aguentam as ventanias mais fortes”. Isso implica que, não apenas para termos sucesso, mas principalmente para mantê-lo, é necessário que passemos por algumas dificuldades. É preciso criarmos raízes profundas. O pensamento chinês passa idéia similar quando nos diz que são nas crises que estão as oportunidades. Em chinês, a palavra crise é composta de dois ideogramas: ameaça mais oportunidade.

Nada na vida é totalmente yin ou totalmente yang. Existe sempre uma interação dinâmica, que no símbolo do yin-yang é repsentada pelo “S” no meio do círculo.

Como ilustração, peguemos o ciclo do dia e da noite. Do entardecer até a meia-noite, o tempo vai ficando cada vez mais escuro (mais yin). À meia-noite, yin é totalmente predominante. Agora se olharmos de novo para o símbolo do yin-yang, veremos a bolinha branca inserida dentro do yin (para escura). Sabe o que significa? Ela é a sementinha do seu oposto – do yang. Isso mostra que quando o yin atingiu seu pico máximo, há uma mudança para seu oposto.

Essa manifestação de alternância do yin e do yang ao atingirem seu pico extremo era chamada pelos taoistas de “o movimento do Tao”. No mundo físico, isso acontece de maneira gradativa quando após a calada da noite vem a alvaorada. O dia começa a clarear mais e mais até que ao meio dia yang é totalmente predominante. O ciclo se reinicia e o símbolo do yin-yang, ponto de partida deste ciclo, se explande num fluxo em forma de espirtal ao longo do tempo.

O que está por trás deste conceito é o sentido de equilibrio e hamonia. Para começarmos a pensar desta maneira, precisamos antes de mais nada, suspender nossa tendencia natural de sermos críticos e reagirmos às situações mesmo sem entendermos o que está por trás. Preciamos ficar abertos às coisas, “deixar fluir”, suspender o julgamento e adotar uma postura de desapego.

A forma que aprendi para fazer isso é olhar para as coisas “não” necessariamente como sendo boas ou ruins, “mas de maneira neutra” como se estivessemos olhando para uma moeda. Assim como a moeda tem duas faces, tudo na vida tem seu lado yin e o seu lado yang. É impossível ter um sem ter o outro. A característica do feminino complentar o masculino e vice-versa, é a base da totalidade.

E o que esse conceito de equilibro, de harmonia tem a ver com nossa saúde, com nosso bem-estar?  Muita coisa! Temos naturalmente um mecanismo chamado homeostase que serve para restaurar as funções normais do corpo. Numa sauna por exemplo, o calor nos faz suar. Quando o suor se evapora, rouba calor. Isso nos resfria. Esse equilibrio térmico é feito pela homeotase. Quando alguem desmaia, o coração bate mais rapidamente para compensar a queda de pressão. Mais uma vez, é o mecanismo físico da homeostase em ação. Porém, “a homeostase psicolgica” não existe.

O corpo humano não dispõe de um mecanismo intrinseco instintivo para regular os desvios mentais. Por isso, cabe a nós encontar meios para restaurar o equibrio emocional. Isso pode ser atingido através de meditação, relaxamento progressivo, massagem etc. O ponto é que se não o fizermos, estaremos corerndo um sério risco de pagar um preço alto com nossa saúde.

Algumas pessaos só toman consciência dos seus valores e da vida estressante que levaram nos ultimos dez ou vinte anos quando estão deitadas num leito de hospital. Para que isso não aconteça temos que entender que relaxar não é pecado – é uma bênção.

O segundo preceito de saúde diz: Busquemos o equlibrio interior fazendo do relaxamento um hábito.

Próximo post, algumas sugestões de atividades de relaxamento, até lá

 

Texto retirado do livro “Tudo sobre Aromaterapia” Adão Roberto da Silva, Editora Roka.

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2 thoughts on “Ying-Yang – O Equilíbrio”

  1. muito, muito interessante esse texto!!!!!
    Que incrível lição de bem estar…bem estar consigo e com a natureza e com o mundo…E para entender e aprender, nada como a maturidade….Adorei!!!

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