As três fases da interpretação de um aroma

Você pode esquecer o rosto ou o formato de algo, mas você não se esqueceerá nunca da sensação do aroma delicioso de uma rosa ou do perfume de sua mãe

O Olfato é o único sentido que tem conexão direta com o cérebro. Os neurônios do ouvido são separados do mundo exterior pelo tímpano, os dos olhos pela córnea, mas não os do nariz. Por exemplo, no caso do som, a onda sonora vem através do ar é nossos ouvidos. Ao chegar lá faz vibrar o tímpano. Essa vibração inicia um processo de envio de informação para o tálamo. Basicamente o tálamo é uma estação de retransmissão da informação. Qando a informação é transmitida para o córtex, ocorre a interpretação do som. No caso do olfato, a conexão é direta, ou seja, é o único sentido em que a informação que vai para o sistema nervoso central não passa pelo tálamo.

No caso da visão, apenas três cores primárias são necessárias para que enxerguemos um universo de cores: vermelho, azul e verde. Na escola aprendemos que as cores primárias são: vermelho, magenta, azul ciâneo e amarelo. Para pigmentos, este conceito está correto. Porém, nossos olhos trabalham com luz e não com pigmentos. Eis aí a razão da diferença. Por exemplo: Se pintarmos um quadro observaremos que ao misturar o vermelho com verde dá marrom. Porém, se formos ao departamento de física de uma universidade, iremos observar que ao se projetar uma luz vermelha bem em cima de uma luz verde que já está sendo projetada, dá amarelo. Não é supreendente?

No caso do paladar também ocorre algo semelhante. Na ponta da língua sentimos o sabor de água com açucar. Uma parte de açucar para 200 partes de água (1:200) é o limiar da percepção. Um pouco atrás da língua e dos lados, metade deste valor é suficiente para detectarmos o sal (1:400). Para algo ácido ou acre, a língua é ainda mais sensível – é necessário apenas 1 parte de vinagre em 130.000 partes de água. Por fim, o gosto amargo detectado no fundo da língua é o mais sensível de todos – basta 1 parte de um princípio amargo para dois milhões de partes de água.

Se a visão usa três cores primárias, o paladar quatro sabores, precisaria o olfato de cinco sensações primárias opara detectar todos os cheiros? Poderia até ser, mas não é assim que funciona. Foram feitas várias tentativas para classificar os aromas. De acordo com Guyton pode haver 50 ou mais sensações primárias:

  • Canforado
  • úrido
  • almiscarado
  • Hortelã-pimenta
  • Floral
  • Etéreo
  • Pungente
  • Etc…

Talvez seja por isso que só conseguimos descrever os cheiros de forma eponímica como “isso fede que nem gambá” ou “isso tem cheiro de bala de hortelã!”

As três fases da interpretação de um aroma

Com essa introdução, vamos compreender melhor a beleza que é a anotomia do olfato. A detectação e interpretação do cheiro passa basicamente por três fases:

1. Recepção: o óleo essencial libera notas de cabeça, corpo e fundo. As notas de cabeça são as mais voláteis (as primeiras notas a saírem do óleo). O cheiro é constituído de moléculas voláteis (se não fossem voláteis, não daria para aspirá-las). A propósito, ser volátil é uma condição necessária, mas não suficiente. A molécula também tem que ser hidrossolúvel ou pelo menos parcilamente solúvel em água além de lipossolúvel.

As moléculas voláteis entram pelas narinas, são aquecidas, umidificadas e captadas pelos receptores no epitélio olfativo que fica dentro da cabea à altura das sobrancelhas. O epitélio olfativo é uma estrutura menor que um selo postal. sua área é de 6 a 10cm² e chega a ter aproximadamente cem milhões de cílios olfativos. Não devemos pensar que por serem chamados de cílios olfativos ou terem a aparência de pelinhos, são pelos. Na realidade; os cílios olfativos são terminações nervosas.

As molécular odoríferas são primeiro dissolvidas no muco. Depois se ligam aos receptores no epitélio olfativo. Cada molécula ocupa um sítio-receptor específico. Quando isso corre, dá-se inicio a uma sequencia de reações químicas que originam, impulsos elétricos para o cérebro. Inicia-se então o processo de transmissão da informação. A propósito, como o número de sítios é limitado, se a quantidade de odor for muito intensa o sentido do cheiro se “cansa” rapidamente, ou seja, os receptores se tornam saturados e o reconhecimento dos diferentes aromas se torna mais difícil.

2. Transmissão. Não são moléuclas que carregam o cheiro que vão para o cérebro. Na realidade essas moléculas odoríferas acabam sendo eliminadas após sofrerem modificações químicas. Isso ocorre quando duas enzimas (o citocromo P450 e a UGT) solubilizam essas moléculas para serem eliminadas durante a filtração do sangue pelo rim.

O que vai para o cérebro é a informaçãop contida no cheiro. Para isso aconteça, uma proteína ativa a adenilatociclase. Essa enzima por sua vez aciona uma “chave química” conhecida por AMP cíclico que transmite os impulsos elétricos. OAMP é a sigla para o 3,5 ácido fosfórico cíclio de adenosina.

A mensagem é enviada para dentro do cérebro através dos neurônios olfativos. Ela passa por estruturas chamadas glomérulos que juntamente com as células mitrais e o apoio de outros neurônios fazem pelo menos duas coisas muito importantes:

  • Acabam reduzindo a complexidade dos odores aos básicos;
  • distribuem impulsos de praticamente 1000 neurônios tanto para :
  • o cortex olfativo localizado no giro parahipocampal (que fica na superficie medial do lobo temporal) – uma estrutura do sistema límbico;
  • quanto para a área olfativa medial anterior ao hipotálamo.

Nada no cérebro é simples ou linear. O córtex cerebral (parte pensante)

Também envia outras mensagens ao bulbo via neurônios modificando inclusive a própria reação do bulbo olfativo ao cheiro. Por exemplo, o óleo essencial de hortelã-pimenta pode abrir nosso apetite. O córtex cerebral, entretanto, também pode nos fazer perder o apetite após uma refeição. As caracterísiticas olfativas não mudaram, o que mudou foi nossa resposta à maneira como interpretamos agora esse aroma.

Com isso chegmos a terceira e última fase da anatomia olfativa responsável pela perpecção e identificação dos aromas: o rinencéfalo.

3. Identificação: O rinencéfalo, ou encéfalo olfatório é responsável pela recepção, condução e integração das sensações olfatórias. ele é constituído de todas as estruturas relacionadas diretamente com a olfação, especificamente:

  • o nervo e o trato olfatório;
  • o bulbo olfativo;
  • a estria olfatória lateral e;
  • o úncus.

Vamos simplificar e focar apenas na estrutura que nos interessa:

O bulbo olfativo é uma pequena esrutura sólida e ovóide (que mais se prarece com protrusões em forma de colher) onde ocorre a percepção e identificação do cheiro. Essa estrutura consegue distinguir se o odor de queimado é de uma folha de papel ou de uma folha de árvore, mesmo que não estejamos olhando.

O conteúdo da informação recebida pelos implusos nervosos deflagrados nos cílios que chegam ao bulbo olfativo, são retransmitidos através de sinapses para regiões do sistema límbico responsáveis pelos mecanismos compartamentais e viscerais (uma vez que o sistema límbico também desempenha um papel no controle do sistema nervoso autônomo)

Livros há que ao correlacionarem as sinapses com relés (eletroimãs que se abrem e fecham estabelecendo ou interrompendo circuitos), indicam que o bulbo olfativo envia sinais elétricos para o sistema límbico. apesar dos implusos nervosos serem elétricos, a transmissão desses impulsos de uma neurônio (célula nervoso) para outro, ocorre quimicamente e não eletricamente. Em outras palavras, a transmissão do impulso na sinapse é de natureza fundamentalmente química. Como as extremeinadas das células não se tocam por haver um espaço microscópico entre elas, o jeito que o cérebro encontrou para “fechar o circuito” foi fazer as extremeindades terminais das células nervosas emitir pequenas quantidades de acetilcolina na direção das extreminadades receptoras.

Retirado do livro Tudo sobre Aromaterapia – Adão Roberto da Silva

2 comentários sobre “As três fases da interpretação de um aroma

  1. lea disse:

    Nossa, esse artigo explica muito bem o valor, a importância do olfato em nossas vidas…
    \eu compro frutas sempre após sentir seu perfume, acredita?
    Muitas vezes, eu sinto aromas que me lembram a casa da minha avó…e com ele, chega até mim a infância…E do mesmo jeitop que minha mãe guardava os lençóis, entremeando sabonetes deliciosos, eu guardo até hoje…e toda vez que vou pegar um novo lençol para a cama, é dela que eu me lembro….
    muito importante esse artigo…compreendemos melhor o que a aromaterapia é capaz de fazer e atuar em nós…

    • Terra dos Aromas disse:

      Realmente, achei bastante interessante postar mais a respeito de como esse sentido é importante. E para enteder melhor como reagimos aos aromas. Obrigada mais uma vez pela sua participação, beijocas

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s