Como Funciona a Aromaterapia

Compartilhando Texto de Diane Petry da Harmonie Aromaterapia

Saiba por que aromas provenientes de plantas medicinais aromáticas influenciam o comportamento humano e suas emoções e ainda estimulam os órgãos e suas funções.

O uso de aromas provenientes de plantas medicinais para os cuidados com a saúde não é nenhuma novidade. Existem registros antigos do uso de óleos essenciais através da queima de plantas para eliminar pragas, doenças e até energias negativas desde o Antigo Egito. E, através desta fumaça liberada das plantas é que surgiu a palavra perfume, que em templos eram utilizados para ampliar a consciência, conectar-se com o divino, desenvolver-se espiritualmente e até como instrumento de sedução. Mas, a forma de utilizar os aromas inseridos dentro de tricomas “bolsa que armazena o óleo essencial na planta” mudou muito, isso devido aos métodos de extração criados como, a enfleurage, destilação à vapor, e a prensagem à frio, onde o resultado é produto muito concentrado chamado de óleo essencial. Apesar de tão milenar a técnica que utiliza óleo essenciais o termo aromaterapia surgiu apenas na década de 20, pelo Perfumista Francês René Maurice Gattefossé, até então o uso dos aromas era associado a fitoterapia

 

Daiana no laboratório do Templo Egípcio de Edfu 237 a.c, onde há registro de mais de 200 fórmulas com óleos essenciais para cuidados médicos e perfumes formulados pelos sacerdotes.

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O uso dos óleos essenciais é muito amplo, podemos utiliza-lo diluídos em creme, gel, shampoo, condicionador e óleos vegetais, para obter cosméticos naturais, produtos que eliminem a dor, relaxem a musculatura ou até desintoxicam o organismo. Mas, também é possível utilizar através da inalação no difusor pessoal, aromatizador ambiental e até criando um perfume personalizado para obter efeitos emocionais e vibracionais.

Muitas práticas, terapias e medicinas podem se beneficiar com o uso dos óleos essenciais, como o reiki, geoterapia, massagem, constelação familiar, regressão, arteterapia,  medicina chinesa, indiana, xamanica,  psicossomática, entre outras. O óleo essencial poderá ser um excelente instrumento de transformação, potencializando a ação de alguma técnica ou promovendo um despertar como é o caso dos óleos essenciais de mirra, olíbano e patchouli que contém em suas composições sesquiterpenos que quando inalados, atingem um conjunto de estruturas cerebrais responsáveis pelas nossas emoções como o hipotálamo, hipocampo, amígdala, hipófise e pituitária, promovendo compreensão sobre as situações de causa e efeito em que a pessoa se coloca, tema principal da psicossomática para a cura das doenças, ou seja, se o profissional utiliza os conhecimentos da psicossomática em sua terapia, quando ele indicar um óleo essencial de mirra para inalação por alguns dias, ele irá acelerar o processo de compreensão da doença.

Uma visão comum e reduzida sobre os óleos essenciais é que sua utilização serve apenas para alívio de sintomas devido a seus componentes químicos analgésicos,  calmantes, estimulantes, entre outros. Mas, na verdade a aromaterapia deve ser usada como instrumento de transformação, atuando diretamente na causa do problema.

A aromaterapia é uma técnica ou terapia que utiliza apenas substâncias naturais muito concentradas de plantas medicinais, o que exige cuidado na hora de utilizar. Costumo comentar  que na aromaterapia, “menos é sempre mais!” Com poucas gotas você consegue obter efeitos físicos, emocionais e vibracionais sem causar danos ao seu organismo pelo excesso de química. O que precisamos entender é que não é porque é natural, que não faz mal. Um pequena gota de óleo essencial pode conter 400 componentes químicos, isso a torna incrivelmente especial, pois sabemos que essa gota poderá servir exemplo no caso da lavanda, para tratar insônia, regenerar a pele, equilibrar as emoções, lavar os pensamentos repetidos e negativos e até tratar uma micose, mas essa quantidade de componentes nesta única gota também quando em excesso pode causar danos aos órgãos. – Daiana Petry

Experimente tratar sua dor com um olhar de quem busca entender o motivo de ela existir, que busca a cura do problema e com isso transforma de sua rotina, seu dia, sua vida! Que tal começar com um óleo essencial como o de eucalipto que libera pensamentos e emoções presas ao passado? Ou um grapefruit que estimula a busca pelo que lhe dá prazer, sem culpas, sem medos, ensina a celebrar cada dia como único, eliminando dores, preocupações que nos limitam?

Texto escrito por: Daiana Petry

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Gurjan, o óleo da Árvore que aprendeu a dominar o ar

Outro lindo post de Fábian Laszlo sobre o Óleo Essencial de Gurjan

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Conheça as incríveis propriedades do óleo gurjan, que já foi utilizado na Índia até para tratar de lepra!

gurjan minitree.jpgO óleo de gurjan ou gurjun (Dipterocarpus turbinatus (= D.alatus) é conhecido na Ásia também como copaíba indiana (por sua semelhança de aplicação ao óleo de copaíba), sendo obtido da destilação da madeira da árvore. É um produto comercializado há séculos e possui no oriente milagrosas propriedades terapêuticas e um amplo emprego deste óleo essencial como fixador de perfumes, por possuir um aroma muito delicado e sutil (levemente doce e amadeirado) que não interfere intensamente no contexto da fragrância.

Em geral, nota-se que óleos essenciais com boas porcentagens dos isômeros alfa-copaeno, alfa e beta-gurjuneno, como o gurjan, possuem efeito no sistema nervoso central como ansiolíticos e sedativos [1,2]. Além disso, estes compostos também agregam a estes óleos potencial antiinflamatório [1].

O que diferencia o óleo de gurjan daquele obtido de inúmeras outras árvores ricas em sesquiterpenos, como a própria copaíba, é justamente o processo de inflorescência desta planta. Em milhões de anos de evolução ela “estudou” o “vento” e se adaptou a desenvolver um meio de propagação “aerodinâmico” com sementes que caem girando como pequenos helicópteros. Uma árvore com um foco de aproveitamento tão interessante do elemento “ar”, nos denota, dentro de um contexto antroposófico, grande potencial de uso de seu óleo essencial nos domínios da mente. É um óleo que atua harmonizado os pensamentos de uma mente excessivamente agitada, facilitando entrar-se em ondas alfa, contribuindo assim na meditação, relaxamento e estudo. Para isso, basta seu emprego em difusores de ambiente na dose de 6-15 gotas, ou em massagens a 3% visando trazer profundo estado de relaxamento em indivíduos mentalmente agitados (associe com lavanda ou pindaíba para um efeito ainda melhor).

Existem dois quimiotipos principais deste óleo em comércio. Um rico em alfa-copaeno (40-75%) e outro rico em alfa-gurjuneno (40-75%), tendo ambos usos e aromas muito similares. A oleoresina de gurjan possui 75% de óleo essencial e é obtida pelo corte da madeira para que escorra e seja coletada em um frasco. É coletada 4-10 vezes entre os meses de agosto a fevereiro e 300 árvores rendem 36kg num mês. O óleo essencial é obtido pela destilação desta oleoresina [10].

gurjan.jpgO copaeno é um componente que aumenta a atividade antioxidante dentro das células e não possui efeito genotóxico ao DNA [5], e esta sua capacidade de aumentar a defesa antioxidante do corpo é que permite que esta molécula tenha também ação hepatoprotetora [6]. Este mecanismo de ação é o que explica muitas das propriedades terapêuticas do óleo de gurjan.

Na Índia este óleo foi muito utilizado como terapia natural para a hanseníase (lepra) com resultados de controle da doença com seu uso local prolongado. Na página 458 do livro “Hanseníase” de Jaime Benchimol, cita-se que o óleo de gurjan não cura a lepra, mas que “…sem dúvidas, com o seu uso continuado há uma grande melhoria. As úlceras curam e a forma tubercular desaparece com o seu uso. Tão logo se para de usar o óleo, todos os sintomas reaparecem como antes…” [9].

Na página 189 de “A Review of Dipterocarps” vemos escrito: “A Farmacopéia da Índia de 1868 oficialmente descreve o gurjam como um estimulante das mucosas, especialmente do sistema gênito-urinário e como diurético. Contudo usuários da medicina indiana observaram ser menos eficiente que a copaíba neste tipo de uso. Ele é útil na leucorréia e outros fluxos menstruais, psoríase, e também no tratamento de lepra (usado tanto externa quanto internamente). Todas as variedades de óleo de gurjan são igualmente úteis como estimulantes locais, ma as variedades vermelha, marrom avermelhada claro ou amarelo claro, são as melhores para uso interno. A eficácia deste óleo essencial é aumentada pela associação com óleo de Chaulmogra” [10].

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Na página 166 do livro “Handbook of Ayurvedic Medicinal Plants: Herbal Reference Library” é citado como benéfico para o tratamento da bronquite além de todas as indicações acima citadas da Farmacopeia da Índia. É citado no livro a dosagem oral de 2-6 gramas ao dia [11]. Há referência de seu uso tópico puro no tratamento de bicho geográfico [12], apesar do óleo de tea tree para isso ser infalível e mais potente.
Enquanto na Índia é conhecido como óleo de gurjan, em Myanmar (Birmânia) é chamado de “óleo de kanyin ou óleo In”, onde é empregado como um anti-séptico para limpar feridas e substituto para a copaíba para tratar gonorreia. Em Myanmar também é empregado para tratar úlceras e feridas em cascos e pés de vacas. Já foi muito utilizado no exterior para adulterar o óleo de copaíba exportado do Brasil e o óleo de patchouli produzido na índia e Indonésia. Ainda é muito utilizado em Myanmar para ser queimado em tochas e como secativo de pintura a óleo no lugar do óleo de linhaça [10]. Possui potencial em pinturas litográficas por ter ação anti-corrosiva de ligação com o ferro [12].

Foi identificado que o a-copaeno, componente principal do óleo de gurjan, é um componente presente em consideráveis quantidades na fração volátil aromática das batatas [3]. Sua presença pode ter uma importância mais ampla, ainda desconhecida na defesa desta planta contra pragas, já que o isômero b-cariofileno produzido pelas raízes do milho tem ação atrativa de nematóides que são convocados para se alimentar de larvas de percevejos que estejam atacando as raízes do milho [4]. Sabe-se que o a-copaeno é um feromônio para muitos insetos, como mosca-das-frutas-do-mediterrâneo [7] e possui efeito repelente e mortal contra cupins (C. curvignathus) [8].

Composição (óleo da Laszlo – Gurjan QT copaeno):

α-elemeno 1.2
ylangueno 0.3
α-copaeno 46.5
α-gurjuneno 3.1
β-elemeno 2.3
β-cariofileno 19.7
β-gurjuneno 0.2
humuleno 4.1
alloaromadendreno 1.4
γ-muuroleno 2.5
δ-selineno 1.4
calameneno 0.8
δ-cadineno 10.3
oxido cariofileno 0.5
epi-cubenol 0.5

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Indicações terapêuticas:

– Sedativo e ansiolítico +++
– Insônia ++
– hipotensor ++
– Anti-inflamatório útil em bursites, artrites e reumatismos +++
– Fibromialgia ++
– Analgésico no alívio de dores (útil em tendinites, contusões, reumatismos e distensões musculares) ++
– Antiespasmódico (cólicas menstruais e de outros tipos) ++
– Tensão muscular +
– Anti-ulcerativo e gastroprotetor ++
– Cicatrizante útil em feridas e queimaduras +++
– Eczema, psoríase, dermatites ++
– Fixador de perfumes +++
– Cistite e como diurético +
– Bronquite, asma e tosse ++


Autor:

Fábián László
Cientista Aromatólogo
ESTE TIPO DE CONHECIMENTO SOBRE ÓLEOS ESSENCIAIS É UM PEQUENO EXEMPLO DO QUE VOCÊ APRENDE EM AULAS DE AROMATOLOGIA CONOSCO, SAIBA DATAS DE CURSOS EM NOSSA ESCOLA: www.ibraromatologia.com.br

Óleo essencial de GURJAN você encontra atualmente nas melhores revendas da Laszlo em todo o país (link para localizar um revenda próxima em sua cidade: http://goo.gl/cPFQbL). Também pode ser adquirido em nossa loja virtual (http://goo.gl/M4WlZ9) se em sua cidade não existir alguma revenda nossa.
Referências:

[1] Kobayashi C et al. Pharmacological evaluation of Copaifera multijuga oil in rats. Pharm Biol. 2011 Mar;49(3):306-13.

[2] Takemoto H, et al. Sedative effects of vapor inhalation of agarwood oil and spikenard extract and identification of their active components. J Nat Med. 2008 Jan;62(1):41-6.
[3] Morris WL, et al. Utilisation of the MVA pathway to produce elevated levels of the sesquiterpene α-copaene in potato tubers. Phytochemistry. 2011 Dec;72(18):2288-93.
[4] Smith WE, Set al. A maize line resistant to herbivory constitutively releases (E) -beta-caryophyllene. J Econ Entomol. 2012 Feb;105(1):120-8.
[5] Türkez H, et al. Effects of copaene, a tricyclic sesquiterpene, on human lymphocytes cells in vitro. Cytotechnology. 2014 Aug;66(4):597-603.
[6] Vinholes J, et al. Hepatoprotection of sesquiterpenoids: a quantitative structure-activity relationship (QSAR) approach. Food Chem. 2014 Mar 1;146:78-84.
[7] Todd E. Shelly. Exposure to α-Copaene and α-Copaene-Containing Oils Enhances Mating Success of Male Mediterranean Fruit Flies (Diptera: Tephritidae). Annals of the Entomological Society of America 94(May 2001):497-502 · January 2009
[8] Roszaini, K., et al. Toxicity and antitermite activity of the essential oils from Cinnamomum camphora, Cymbopogon nardus, Melaleuca cajuputi and Dipterocarpus sp. against Coptotermes curvignathus Wood Sci Technol (2013) 47: 1273.
[9] Jaime L. Benchimol, Magali Romero Sá, Adolpho Lutz – Hanseníase – v.1, Livro 2. Editora FIOCRUZ
[10] Simmathiri Appanah, et al. A Review of Dipterocarps: Taxonomy, Ecology, and Silviculture. CIFOR, Bogor, Indonesia
[11] Kapoor L. D.(2000) Handbook of Ayurvedic Medicinal Plants: Herbal Reference Library. CRC Press
[12] CABI. The CABI Encyclopedia of Forest Trees. CABI (October 21, 2013)

Sempre viva, o óleo da flor ‘‘Imortal’’

 

Compartilhando esse maravilhoso post sobre a Sempre viva de Fábian Laszlo

As flores são benções presentes em nosso dia, não consigo mais viver sem elas. Amo elas de todo o meu coração!!

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Helichrysum sp.

Os Helichrysuns são plantas arbustivas perenes da família Asteraceae conhecidas pelos nomes de sempre-viva (Everlasting Flower) e flor imortal (Immortelle). O nome botânico destas plantas deriva das palavras gregas Helios que significa sol e Chrysos que significa ouro.

A colheita das sempre-vivas é feita durante a fase de floração, nas primeiras horas da manhã, quando a concentração de óleos essenciais nas flores é mais elevada. As flores escolhidas são então destiladas usando vapor ao longo de um período de 24 horas.

Existem diferentes tipos de sempre-vivas disseminadas em inúmeros países do mundo. Muitas delas são aromáticas e possuem óleo essencial totalmente distinto umas das outras, não podendo, portanto, ter usos similares.

Em geral, o teor de óleo essencial da flor das sempre vivas é muito baixo. Por exemplo, a variedade H. italicum tem menos de 0,05% , indicativo de que a produção de um quilo deste óleo essencial exige que mais de uma tonelada de flores sejam colhidas.

A variedade mais famosa de sempre-viva, denominada popularmente de‘‘Immortelle’’ provém da espécie Helichrysum italicum. Esta espécie possui, em seu óleo essencial e absoluto, italidionas, que são di-cetonas exclusivas dessa variedade e não encontradas em nenhuma outra espécie de erva conhecida.

Fenomenais propriedades terapêuticas são atribuídas a este óleo essencial. Suas italidionas são potentes estimulantes da regeneração da matriz extracelular, pois aumentam drasticamente a produção de colágeno na pele, reduzindo rugas e cicatrizes, tratando queimaduras e auxiliando no fechamento de escaras e feridas. Em cosméticos, é um importante elemento que traz beleza e jovialidade à pele, pois as italidionas também agem reduzindo visivelmente a intensidade da cor de manchas escuras na pele, clareando inclusive olheiras, além de ser muito útil em hematomas.

A sempre-viva ‘‘Immortelle’’ contém altos níveis de acetato de nerila, outro composto responsável pelo suporte inigualável deste OE na reconstrução de tecidos. Esse componente também possui efeitos relaxantes que reduzem a tensão nos tecidos contribuindo para redução da formação de rugas. Também age na esfera emocional trabalhando a ansiedade e depressão.

Os curcumenos são moléculas encontradas nos óleos de gengibre e turmérico e também estão presentes na ‘‘Immortelle’’. Possuem poderosa ação anti-inflamatória e analgésica que permite a este OE ter qualidades interessantes no tratamento de reumatismo, artrite, dores, dermatites e psoríase.

Segundo Battaglia, em seu livro The Complete Guide to Aromatherapy, este óleo seria um dos mais poderosos agentes quelantes para remoção de metais pesados e toxinas do corpo. E Kurt Schnaubelt em seu livro Advanced Aromatherapy, cita: ‘‘O efeito analgésico de redução de dores e efeitos regenerativos da sempre-viva ‘‘Immortelle’’ é único. Se aplicado em tempo, este óleo previne hemorragias. É muito eficiente nas dores articulares’’.

O óleo de sempre-viva‘‘Immortelle’’ pode ser empregado puro na pele (2 a 3 gotas) em queimaduras para o alívio imediato da dor, em queloides e cicatrizes. E para um uso prolongado, é diluído em creme ou gel na proporção de 0,1 a 2%.

Enquanto a sempre-viva ‘‘Immortelle’’ vem da Europa (Córsega, Balkans, Croácia e França), existem outras espécies que vêm de países quentes, principalmente Madagascar. e permitem usos totalmente diferentes da ‘‘Immortelle’’. Deste país temos:

Sempre-viva fêmea (Helichrysum gymnocephalum)

A sempre-viva fêmea surpreende por sua ação de melhora da respiração. Este óleo essencial, rico em 1,8-cineol (70-75%) limpa os seios nasais, dilui o muco e penetra nos brônquios sem qualquer agressividade reconectando-nos a nosso aparelho respiratório de forma gentil e harmônica. Este caráter particular é diferenciado de propriedades expectorantes e mucolíticas simples no tratamento de bronquites, sinusites e alergias respiratórias.

Sempre-viva macho (Helichrysum bracteiferum)

A sempre-viva macho atua eficazmente no sistema respiratório como expectorante e anti-inflamatória. Calmante e relaxante, é particularmente adequado para a massagem no peito para indivíduos com inflamação e irritação das vias respiratórias. As propriedades anti-inflamatórias da sempre-viva macho também são aproveitadas para a massagem dos músculos e articulações, bem como para gengivas inflamadas. Este óleo se destaca pela união de 29% de cineol (expectorante) com 9% de alfa-humuleno, o componente ativo anti-inflamatório da erva-baleeira, que neste óleo essencial é 3 vezes mais alto. O alfa-humuleno tem ação anti-asmática, reduz cólicas, dores e é um poderoso anti-inflamatório sistêmico. É um dos componentes ativos também do óleo de sucupira.

Sempre-viva faradifani (Helichrysum faradifani)

Suas ações são precisamente orientadas sobre o sistema urinário e genital. Possui potencial de uso contra infecções do trato urinário, como cistites, agindo rapidamente em homens e em mulheres. É indicado quando se deseja estimular e reequilibrar o funcionamento dos rins. Duas a três gotas podem ser aplicadas à parte inferior das costas todos os dias. Este óleo se destaca pela combinação única das moléculas a-fencheno, g-curcumeno e b-cariofileno que juntas dão qualidades anti-inflamatórias potentes a este óleo essencial, torando-o útil a problemas articulares como artrite e reumatismo.

Fábián László

Cientista Aromatólogo

Bibliografia: Simon Lemesle. Huiles essentielle et eaux florales de Madagascar, guide pratique d’une aromathérapie innovante / Franchomme, P e Penoel, D. L’aromathérapie exactement. Roger Jollois / Battaglia. The Complete Guide to Aromatherapy.  Perfect Potion / Kurt Schnaubelt. Advanced Aromatherapy. Healing Arts Press

Este artigo faz parte da 7a edição do Jornal de Aromatologia:
http://laszlo.ind.br/campanhas/JORNAL_LASZLO_7_JANEIRO_2016_web.pdf

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ÓLEO DE OLÍBANO SAGRADO E CÂNCER DE PELE

Pesquisas apontam excelentes resultados do uso do olíbano no tratamento de câncer de pele de cavalos e humanos.

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Evidências históricas e arqueológicas sugerem fortemente que o incenso dada ao menino Jesus vinha tanto das espécies Boswellia Carteri, de origem Africana, ou da Boswellia sacra, de origem árabe.

A resina dos olíbanos era queimada há milênios em templos egípcios, macedônios e gregos com a finalidade de integrar o ser humano com sua essência, favorecendo a oração, meditação e introspecção. Acreditava-se que o olíbano trazia conforto e bem-estar aos aflitos.

O óleo desta espécie de olíbano é produzido no Omam, que tem a reputação de produzir árvores de olíbano de qualidade superior. As árvores começam a produzir resina quando estão com 8 a 10 anos de idade.Possui um aroma único, bem mais marcante e intenso que os olíbanos advindos de outras espécies.

Existem 3 trabalhos científicos realizados com esta espécie mostrando seu potencial frente ao câncer. Um deles mostrou in vitro ação deste óleo frente ao agressivo câncer pancreático [1], o segundo sobre células de câncer de mama [2], e o terceiro sobre células de câncer da bexiga [3]. O óleo essencial de olíbano sagrado nestes estudos agiu matando as células cancerosas de forma seletiva, não causando prejuízo algum às células saudáveis, o que encaixa com uma publicação anterior nossa sobre o óleo de coentro, que explica como este mecanismo seletivo de atuação de óleos essenciais em câncer se dá [6].

Foi realizado em 2006 uma pesquisa [4] veterinária com o óleo de Olíbano-do-deserto (Boswellia carteri) envolvendo seis cavalos nos Estados Unidos e que sofriam de melanoma maligno (uma forma fatal de câncer de pele). Durante o período de duas semanas os pesquisadores injetaram o óleo de olíbano-do-deserto em tumores de um grupo de cavalos e no outro aplicaram topicamente apenas.

No final do período de teste, os tumores tratados com o olíbano-do-deserto foram medidos e comparados com os tumores deixados sem tratamento, e as células foram biopsiadas. O veredito foi claro: o olíbano, tanto injetado quanto no tratamento tópico, tinha reduzido o crescimento do tumor em todos os seis cavalos e matou algumas células cancerosas.

Seguinte a este estudo veterinário de 2006, em 2013 foi publicado o resultado do primeiro estudo em humanos [5] realizado com um homem de 50 anos que sofria de carcinoma basocelular, um câncer maligno da pele de crescimento lento e progressivo que acomete freqüentemente áreas expostas ao sol como o rosto.

O paciente tratou topicamente o local com a aplicação do óleo essencial destilado das resinas do olíbano sagrado várias vezes ao dia por um período de 20 semanas. Biópsias foram realizadas após o tratamento com óleo essencial de olíbano que mostrou cura completa do carcinoma basocelular na região do braço e substancial melhoria no carcinoma na região do peito (que apresentava várias células doentes com apoptose aumentada). O óleo de olíbano sagrado não apresentou nenhum tipo de efeito colateral na pele, comum de ocorrer no tratamento médico tradicional utilzando imiquimode, fluorouracila e terapia fotodinâmica.

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Figure 1: Carcinoma on the arm. (A) Original lesion before treatment. (B) Image taken at three months and one week of local application of frankincense essential oil and the lesion has completely disappeared. (C) and (D) A biopsy performed before treatment, which shows BCC with nodular growth pattern. (E–J) Serial sections of the biopsy performed after treatment shows extensive scar formation, but no residual BCC. A small amount of inflammatory cells (arrow in E) is present and is illustrated in higher magnification in (F). Figure 2: Carcinoma on the chest. (A) Original lesion before treatment. (B) and (C) Images of lesion taken at three and four months after treatment, respectively, show progressively regression. (C) and (D) A biopsy taken before treatment shows BCC with an infiltrative growth pattern. (F–K) Serial sections are performed in the post-treatment lesion. Many pyknotic/apoptotic cells (arrow and inset in G) are present. Note that the residual BCC (arrows in (H) and (J) are located adjacent to areas with extensive scarring.

Os cientistas deste estudo ainda colocaram ao final da pesquisa que o olíbano poderia ser uma alternativa mais saudável e barata ao medicamento Vismodegib, o primeiro tratamento oral para o carcinoma basocelular avançado ou metastático aprovado nos EUA. Os efeitos colaterais mais comuns do Vismodegib incluem queda de cabelo leva a moderada, cãibras musculares, alteração do paladar e perda de peso. O custo estimado de um mês de tratamento com vismodegib é 7.500,00 dólares (mais de 20 mil reais mensais)!

ATENÇÃO: Este é apenas um estudo avaliativo sobre uma pesquisa, não deve ser tomada como solução “milagrosa” para cura de doenças graves, como o câncer. Se você está doente, procure orientar-se com seu médico.

Autor:
Fábián László
Cientista aromatólogo

Referências:
[1]. Ni X, Suhail MM, Yang Q, Cao A, Fung KM, Postier RG. Frankincense essential oil prepared from hydrodistillation of Boswellia sacra gum resins induces human pancreatic cancer cell death in cultures and in a xenograft murine model. BMC Complement Altern Med 2012 Dec;12(1):253.
[2]. Suhail MM, Wu W, Cao A, Mondalek FG, Fung KM, Shih PT. Boswellia sacra essential oil induces tumor cell-specific apoptosis and suppresses tumor aggressiveness in cultured human breast cancer cells. BMC Complement Altern Med 2011 Dec;11(1):129.
[3]. Frank MB, Yang Q, Osban J, Azzarello JT, Saban MR, Saban R. Frankincense oil derived from Boswellia carteri induces tumor cell specific cytotoxicity. BMC Complement Altern Med 2009 Mar;9(1):6.
[4]. Service TCN. Frankincense shows promise in fighting skin cancer. 2006. 
http://www.foxnews.com/…/frankincense-shows-promise-in-figh…(visitado em setembro de 2016)
[5]. Fung KM, Suhail MM, McClendon B, Woolley CL, Young DG, Lin HK. Management of basal cell carcinoma of the skin using frankincense (Boswellia sacra) essential oil: A case report. OA Alternative Medicine 2013 Jun 01;1(2):14. 
http://www.oapublishinglondon.com/article/656 (visitado em setembro de 2016)
[6].
https://www.facebook.com/laszlobrasil/photos/pb.208799552524331.-2207520000.1467141343./1064464896957788/?type=3&theater